Modelar o Invisível - texto por Germana Konrath
(curadora da exposição individual Modelar o Invisível, dezembro de 2024)
Quando pensamos em experiências estéticas, geralmente nos atemos aos cinco sentidos característicos da nossa natureza, humana, em toda sua limitação. Elias Maroso, em sua trajetória artística, investiga múltiplas relações entre seres e seus campos de percepção e de atuação. Como determinados pássaros migratórios têm a capacidade de transformar campos magnéticos de orientação para o voo em cores? Criptocromo, trabalho do artista na Bienal do Mercosul, explorava esse aspecto que aqui desdobra-se em novas pesquisas e ramificações.
Dispostas a nosso redor estão peças escultóricas que são protótipos de antenas, das quais emanam volumes etéreos e pulsantes, simultaneamente orgânicos e tecnológicos. Elias Maroso modificou suas formas, pensando no padrão de radiação eletromagnético das antenas. Foram esculpidas por meio de cálculos e experimentações de modelos matemáticos utilizando softwares de engenharia. As peças, portanto, servem como objetos de ilustração científica, atendendo aos altos padrões de exigência executiva que marcam a poética do artista.
A aproximação de antenas como essas, se colocadas em funcionamento, alteraria os campos eletromagnéticos resultantes, que passariam a interferir uns sobre os outros, gerando novos contornos e amplitudes. Aqui vemos sua representação individual, isolada, mas em contato direto com nosso corpo, com nossos corpos. São formas sinuosas, topológicas: representações de relevos que não conseguimos escavar enquanto concretude tátil, sequer enquanto matéria visível. Sua existência escapa a nossos sentidos. A proposta, assim, é jogar com objetos artísticos enquanto tradução parcial de algo que existe, porém não se consegue vislumbrar ou perceber. Faltam sentidos para que possamos lidar com esses campos – e enquanto dispositivos de apresentação, toda tradução é perda. Somos diretamente afetados por algo que não cabe em nosso campo sensível e que aqui se transforma em uma linguagem outra.
[Eng.] Modeling the Invisible - text by Germana Konrath
(curator of the exhibition Modeling the Invisible, December 2024)
When we think about aesthetic experiences, we generally limit ourselves to the five senses characteristic of our human nature, in all its limitations. Throughout his artistic trajectory, Elias Maroso has investigated multiple relationships between beings and their fields of perception and action. How can certain migratory birds transform magnetic orientation fields for flight into colors? Cryptochrome, the artist’s work in the Mercosul Biennial, explored this aspect, which here unfolds into new research paths and ramifications.
Arranged around us are sculptural pieces that are antenna prototypes, from which emanate ethereal and pulsating volumes, at once organic and technological. Elias Maroso modified their forms by considering the electromagnetic radiation pattern of the antennas. They were sculpted through calculations and experimental mathematical models using engineering software. The works therefore function as objects of scientific illustration, meeting the high standards of technical precision that mark the artist’s poetics.
If antennas like these were placed in operation close to one another, the resulting electromagnetic fields would be altered, interfering with each other and generating new contours and amplitudes. Here we see their individual, isolated representation, yet in direct contact with our body, with our bodies. They are sinuous, topological forms: representations of terrains we cannot excavate as tactile concreteness, nor even as visible matter. Their existence escapes our senses. The proposal, then, is to engage with artistic objects as a partial translation of something that exists but cannot be glimpsed or perceived. We lack the senses required to deal with these fields — and, as devices of presentation, every translation entails loss. We are directly affected by something that does not fit within our sensory field and that is transformed here into another language.
Vistas da exposição individual Modelar o Invisível. Peças tridimensionais em acrílico, acetato cortado, iluminação LED interna; ensaios gráficos com impressão a jato de tinta. Ano de 2024. [Eng.] Views of the solo exhibition Modeling the Invisible. Three-dimensional acrylic pieces, cut acetate, internal LED lighting; graphic studies with inkjet printing. Year 2024.